Especial 13 anos sem Stanley Kubrick
2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)
Tudo começou quando Stanley Kubrick e Arthur Clarke começaram a escrever o livro “2001 – Uma Odisseia no Espaço” que foi elaborado com o objetivo de servir como roteiro para o filme. Enquanto Clarke optou por uma abordagem mais clara e objetiva no livro, Kubrick resolveu fazer um filme enigmático e críptico, abusando do som e da imagem, e usando o mínimo possível de diálogo.
O resultado foi um filme notável, com efeitos especiais incríveis (que pode ser visto muito bem na versão remasterizada em BluRay), e uma profundidade filosófica impressionante, difícil de ser encontrada em outros filmes de ficção científica. O filme inicia na “Aurora do Homem”, há milhões de anos atrás, quando uma tribo de macacos descobre um misterioso monólito negro, que emite um som estranho. A cena seguinte é uma das mais famosas do cinema: a do macaco descobrindo que pode usar o osso – que ele já havia usado como arma – como ferramenta.
Então o macaco arremessa o osso, e a cena é abruptamente cortada. Um corte temporal de quatro milhões de anos. Um osso arremessado em 4.000.000 A.C. transformado em uma nave do ano 2001 D.C. orbitando o negrume ao redor da Terra. É o início de mais uma cena memorável. O “ballet das naves”, uma sucessão de imagens muitíssimo bem arquitetadas acompanhadas pela música “Danúbio Azul”, de Johann Strauss II.
Após isso o filme se foca na missão do Dr. David Bowman e do Dr. Frank Poole, que estão a bordo de uma nave controlada pelo misterioso HAL 9000, uma inteligência artificial que, segundo ele próprio “é infalível e incapaz de erro”. As nuances emocionais de HAL, as decisões de Bowman e Poole, o contraste entre máquina e homem e as alegorias e imagens abstratas fazem com que o filme seja bastante complexo e tenha profundas implicações morais, filosóficas e sociológicas. O filme é tão complexo que até hoje, mais de quarenta anos depois da estreia do filme, não há uma explicação definitiva para todos os enigmas propostos no filme.
O filme encanta por ser completo e complexo, pensado e ao mesmo tempo pensante, lento e visualmente maravilhoso."2001" foi filmado com câmeras desenvolvidas pela NASA, e tinha Douglas Trumbull na direção de fotografia. Até mesmo nos nossos dias, com tecnologia 3D e telas de alta definição, é difícil de encontrar um filme que tenha uma imagem tão bonita e brilhante como a de 2001. Imagem essa que resulta, não de efeitos especiais criados por computador (que também possuem seus méritos), mas por truques ópticos extremamente complexos e demorados. Enquanto alguns desses truques consistiam em expor os filmes a temperaturas baixas e depois aquecê-los, outros exigiam que os filmes ficassem embebidos em soluções por mais de um ano.
2001 – Uma Odisseia no Espaço é talvez o mais musical dos trabalhos de Kubrick. A trilha sonora, escolhida pelo próprio Kubrick, é repleta de músicas antigas, clássicas, mas que parecem ter sido feitas especificamente para as cenas do filme. “Danúbio Azul”, de Johann Strauss II e “Also Spracht Zaratustra” de Richard Strauss, são as músicas mais marcantes do filme, sendo que a segunda ficou eternamente relacionada a cenas espaciais. Em muitas cenas Kubrick usa, ao invés de palavras, música para expressar e criar sentimentos no espectador.
Enfim, “2001” é um filme memorável, digno de ser considerado um dos melhores já realizados. Merece ser assistido por todos aqueles que gostam de raciocinar e apreciam não só o cinema como também a música, e a perfeita interação entre essas duas artes.
Veja a cena do "ballet das naves" em alta resolução:
Por Diego Dutra



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