Roger Waters hipnotiza fãs em Porto Alegre com show histórico
O ex-baixista e fundador da banda inglesa Pink Floyd iniciou a turnê brasileira de "The Wall" na noite desse domingo, dia 25, em Porto Alegre, com uma perfomance impactante tanto sonora como visualmente. Roger Waters tomou por alvo criticar o capitalismo moderno, como pôde ser visto nas frases que apareciam constantemente no muro. Além disso, Waters dedicou o show a Jean Charles de Menezes, brasileiro assassinado injustamente pela polícia inglesa. "Dedico o concerto a Jean Charles e sua família pela luta pela verdade e justiça e a todas as vítimas do terrorismo de Estado", disse Roger Waters, em português impecável.
O show começou com “In The Flesh?” hipnotizando os fãs com seus acordes agudos sendo transmitidos por 172 alto-falantes. Vozes murmurantes, gritos e barulhos de aviões vindos de todas as direções confundiram o público, até que uma réplica de avião desceu por cima da platéia e chocou-se contra o muro. Fogos de artifício e explosões completaram o ato.
Na segunda música, “The Thin Ice”, imagens de civis mortos injustamente apareceram no muro. Em “Another Brick In The Wall part 2” um grupo de crianças da ONG Canta Brasil, de Canoas, dançou e dublou o coral da música. As crianças também apontaram para um boneco gigante com cara de monstro, que representava a força repressiva exercida pela escola. No muro a frase "Fear Builds Walls" (medo constrói muros), e as palavras "iNeed" e "iBelieve", a última estando em uma imagem do exterior de uma fábrica cercada por um céu negro, trazem uma crítica a dominação tecnológica e a repressão da parte dos governos.
Em "What Shall We Do Now" e "Mother", o muro respondeu as perguntas das músicas de formas não muito educadas. Waters encerrou a primeira parte do espetáculo projetando no muro a fase decisiva da vida de Pink, personagem central do "The Wall", e os dilemas por ele enfrentados para que ele pudesse se libertar dos muros que o prendiam.
Após o intervalo de cerca de 20 minutos, com o muro totalmente construído, a banda e a platéia estavam totalmente separadas; apenas Roger estava do lado externo do muro. Os ouvidos captavam os sons, enquanto os olhos ficavam a cargo de captar as majestosas projeções que eram feitas no muro. Em “Confortably Numb”, uma das canções mais esperadas do espetáculo, alguns músicos da banda subiram até o topo do muro, fazendo suas performances enquanto o público canta em uníssono os versos da canção.
Em "The Trial", Waters é julgado pela corte animada do muro, mesma corte que ordena que o muro seja derrubado. Os tijolos caem, e os músicos tocam sobre as ruínas do muro a tranquila "Outside The Wall", acalmando os ânimos da platéia.
Roger Waters conseguiu transformar a temática de um disco lançado em 1979 em um algo atual, mostrando claramente que os conflitos que existiam no passado mudaram de nome e forma, mas a dor e a angústia continuam florescendo em um mundo que continua em guerra, apesar de estar coberto por um rótulo de pacifismo e segurança.
Em 29 de março e 1º e 3 de abril, Roger Waters comandará a destruição dos muros nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente.
(Fonte: G1)
(Fonte: G1)
Veja alguns vídeos da performance de Roger Waters, e sinta o clima do show do ponto de vista da platéia:
In The Flesh?
Another Brick In the Wall part 2
Mother
The Trial + queda do muro

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