sexta-feira, 30 de março de 2012

Programação para o fim de semana em Caxias do Sul

   A Secretaria Municipal da Cultura divulgou a sua programação para este fim de semana.

   Sábado, dia 31, haverá a exibição do espetáculo teatral “Gordas”, e no domingo, o espetáculo "Cinta-Liga/Desliga". Ambos eventos fazem parte da 3ª Mostra de Teatro Mulher em Cena. Domingo também haverá a exibição do filme "A Árvore do Amor", na casa de cinema Ulysses Geremia.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Dave Grohl participa no novo clipe da banda Tenacious D; assista "To Be The Best"


   A banda Tenacious D, projeto dos humoristas Jack Black e Kyle Gass, lançou um clipe nessa semana, após um longo período sem novidades. O clipe conta o que occoreu após os acontecimentos do filme "Tenacious D: Uma Dupla Infernal", mostrando Kyle sendo internado em um hospício, enquanto Jack Black aproveita a fama. 

   O clipe conta com participações especiais de Josh Groban e de Dave Grohl, frontman do Foo Fighters, que fazem o papel de professores que ajudam Kyle e Jack a entrarem "em forma" após a sua longa pausa. A música "To Be The Best" faz parte do novo álbum do Tenacious D, intitulado "Rize of The Fenix", que será lançado em 15 de maio. Assista aqui ao clipe de "To Be The Best":




terça-feira, 27 de março de 2012

Ouça na íntegra o novo álbum do The Mars Volta, "Noctourniquet"


   O novo álbum da banda americana de rock psicodélico The Mars Volta só será lançado oficialmente 27 de março. Mas desde já podemos ouvir na íntegra as faixas do álbum.

   Clique aqui para ouvir o álbum "Noctourniquet".

segunda-feira, 26 de março de 2012

Roger Waters hipnotiza fãs em Porto Alegre com show histórico



   O ex-baixista e fundador da banda inglesa Pink Floyd iniciou a turnê brasileira de "The Wall" na noite desse domingo, dia 25, em Porto Alegre, com uma perfomance impactante tanto sonora como visualmente. Roger Waters tomou por alvo criticar o  capitalismo moderno, como pôde ser visto nas frases que apareciam constantemente no muro. Além disso, Waters dedicou o show a Jean Charles de Menezes, brasileiro assassinado injustamente pela polícia inglesa. "Dedico o concerto a Jean Charles e sua família pela luta pela verdade e justiça e a todas as vítimas do terrorismo de Estado", disse Roger Waters, em português impecável.

   O show começou com “In The Flesh?” hipnotizando os fãs com seus acordes agudos sendo transmitidos por 172 alto-falantes. Vozes murmurantes, gritos e barulhos de aviões vindos de todas as direções confundiram o público, até que uma réplica de avião desceu por cima da platéia e chocou-se contra o muro. Fogos de artifício e explosões completaram o ato.

   Na segunda música, “The Thin Ice”, imagens de civis mortos injustamente apareceram no muro. Em “Another Brick In The Wall part 2” um grupo de crianças da ONG Canta Brasil, de Canoas, dançou e dublou o coral da música. As crianças também apontaram para um boneco gigante com cara de monstro, que representava a força repressiva exercida pela escola. No muro a frase "Fear Builds Walls" (medo constrói muros), e as palavras "iNeed" e "iBelieve", a última estando em uma imagem do exterior de uma fábrica cercada por um céu negro, trazem uma crítica a dominação tecnológica e a repressão da parte dos governos.

   Em "What Shall We Do Now" e "Mother", o muro respondeu as perguntas das músicas de formas não muito educadas. Waters encerrou a primeira parte do espetáculo projetando no muro a fase decisiva da vida de Pink, personagem central do "The Wall", e os dilemas por ele enfrentados para que ele pudesse se libertar dos  muros que o prendiam.

   Após o intervalo de cerca de 20 minutos, com o muro totalmente construído, a banda e a platéia estavam totalmente separadas; apenas Roger estava do lado externo do muro. Os ouvidos captavam os sons, enquanto os olhos ficavam a cargo de captar as majestosas projeções que eram feitas no muro. Em “Confortably Numb”, uma das canções mais esperadas do espetáculo, alguns músicos da banda subiram até o topo do muro, fazendo suas performances enquanto o público canta em uníssono os versos da canção.

   Em "The Trial", Waters é julgado pela corte animada do muro, mesma corte que ordena que o muro seja derrubado. Os tijolos caem, e os músicos tocam sobre as ruínas do muro a tranquila "Outside The Wall", acalmando os ânimos da platéia.

   Roger Waters conseguiu transformar a temática de um disco lançado em 1979 em um algo atual, mostrando claramente que os conflitos que existiam no passado mudaram de nome e forma, mas a dor e a angústia continuam florescendo em um mundo que continua em guerra, apesar de estar coberto por um rótulo de pacifismo e segurança.

   Em 29 de março e 1º e 3 de abril, Roger Waters comandará a destruição dos muros nas cidades de Rio de Janeiro e São Paulo, respectivamente.

(Fonte: G1)

   Veja alguns vídeos da performance de Roger Waters, e sinta o clima do show do ponto de vista da platéia:


In The Flesh?



Another Brick In the Wall part 2


Mother


The Trial + queda do muro





sexta-feira, 23 de março de 2012

Grêmio pretende trazer AC/DC para inauguração de novo estádio


   O Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, um dos principais times do estado, vem surpreendendo com seus últimos anúncios em relação a espetáculos. 

   Pouco depois de anunciar que Madonna se apresentará no Estádio Olímpico, a diretoria do Grêmio acaba de revelar que pretende trazer a lendária banda AC/DC para fazer o show de inauguração da nova arena do Grêmio, em 8 de dezembro

   Eduardo Antonini, em entrevista à Rádio Bandeirantes disse: “Temos que ouvir a torcida, sabemos que eles querem o AC/DC. Mas neste caso temos dificuldades. Temos a informação que eles estão formatando uma turnê, e pode ser que estejam na Ásia nesta época”, disse Antonini.

Jack White diz que só voltará com o White Stripes se estiver falido


   Em entrevista a revista inglesa NME, Jack White disse que o único motivo que o faria reunir-se com Meg White seria a falência.

   “Não vejo motivo para voltar para a banda. Não sou o tipo de pessoa que me aposentaria do beisebol e voltaria a jogar no ano seguinte. Se nos demos o trabalho de contar às pessoas que acabou, é porque é sério”, argumentou. “Se eu fosse forçado a mudar de ideia quanto a voltar com o White Stripes, só posso imaginar que seria se estivesse falido e realmente precisando do dinheiro, o que seria muito triste. Provavelmente iria publicar um pedido de desculpas junto com o anúncio das datas dos shows,” acrescentou.

   Jack White, que já participou de bandas como The Raconteaurs e The Dead Weather, lançará no dia 23 de abril seu primeiro álbum solo, Blunderbuss. (Clique aqui para ouvir "Love Interruption", o primeiro single do álbum, e aqui para ouvir "Sixteen Saltines", o segundo single).

quinta-feira, 22 de março de 2012

Johnny Depp vai participar no novo álbum de Marilyn Manson


   "Born Villain", o novo álbum de Marilyn Manson que chega às lojas no dia 30 de abril terá como convidado especial ninguém mais ninguém menos que o ator Johnny Depp.

   O ator tocará bateria e guitarra na faixa "You're So Vain", cover do sucesso de Carly Simon lançado em 1972. Em entrevista à MTV britânica, Marilyn disse: "Decidimos fazer o cover de uma música que fosse irônica para nós dois. Johnny tocou bateria e guitarra solo, eu, toquei guitarra e cantei."

   A colaboração pode parecer improvável mas, apesar da aparente diferença entre os dois, eles são amigos desde o final dos anos 80, quando se encontraram no set de filmagens da série Anjos da Lei, e Manson frequentemente é visto nas premières dos filmes de Depp. Segundo o NME, o filho de Depp, que tem 9 anos, também participa da canção.

terça-feira, 20 de março de 2012

Saiba o que é o "Record Store Day"

   Você já deve ter ouvido ou lido por aí que algumas bandas estão preparando faixas inéditas ou regravações de faixas antigas para o "Record Store Day", que será no dia 21 de abril. Mas a maioria das pessoas não sabe o que é esse tal Record Store Day.

   Em tradução literal, o termo significa "Dia de Venda de Gravações". E é basicamente essa a definição do evento. Record Store Day é um evento em que durante um único dia, diversos lançamentos exclusivos são colocados à venda. Esses lançamentos ficam disponíveis em edições limitadas, geralmente em vinil, somente naquela data e nas lojas participantes do evento, o que faz com que praticamente tudo que seja lançado ou relançado durante o Record Store Day torne-se objeto de desejo dos colecionadores mundo afora, tanto pela raridade quanto pela exclusividade dos itens. O evento ocorre desde 2008 nos Estados Unidos, e na edição desse ano contará com lançamentos e relançamentos de nomes como Arcade Fire, Foo Fighters, Arctic Monkeys, Daft Punk, David Bowie, The Hives, The White Stripes e Noel Gallagher.

   É uma boa oportunidade para quem vai estar nos Estados Unidos durante o evento, ou quem tem algum amigo por lá.


segunda-feira, 19 de março de 2012

Confira a programação da Semana do Teatro 2012

   A Prefeitura de Caxias do Sul, por meio da Secretaria Municipal da Cultura estará realizando de 20 a 27 de março a 3ª edição da Semana do Teatro. 

   A programação da semana contará com a realização de oito espetáculos para os públicos infantil, juvenil e adulto, totalizando 11 apresentações, além de uma oficina e uma exposição. Confira mais detalhes e a programação completa no site da Prefeitura de Caxias do Sul.

quinta-feira, 15 de março de 2012


Jack White lança mais um single; ouça a faixa "Sixteen Saltines"


   Uma nova música do ex-vocalista do The White Stripes, intitulada "Sixteen Saltines", estreou ontem na BBC Radio 1.

   "Sixteen Saltines" é o segundo single do álbum "Blunderbuss", que será lançado em Abril. Mas é fácil de se perceber que “Sixteen Saltines” difere muito de "Love Interruption", que foi o primeiro single de seu trabalho solo. (Clique aqui para ouvir "Love Interruption")

  O álbum "Blunderbuss" deve ser lançado em 24 de abril. Enquanto isso, ficamos com a canção “Sixteen Saltines”:



quarta-feira, 14 de março de 2012

Michel Teló pode ser proibido de cantar "Ai Se Eu Te Pego" 



   Um novo processo judicial contra a compositora do refrão de "Ai Se Eu Te Pego", Sharon Acioly, pode impedir o cantor Michel Teló de interpretar a música. O processo foi movido pelas estudantes Amanda Borba Cavalcanti de Queiroga, Marcella Quinho Ramalho e Maria Eduarda Lucena dos Santos, que seriam as supostas coautoras da música, cujo refrão é atribuído a Sharon e o restante ao músico Antônio Dyggs. 

   A frase "Ai Se Eu Te Pego" teria surgido em uma viagem das meninas para a Disney em 2006, segundo o advogado Miguel de Farias Cascudo. Ao se interessar por um dos guias da excursão, uma delas criou uma música que dizia "ai, se eu te pego". O "delícia", também incluso no refrão, veio de uma música do grupo Parangolé. 

   “Nas filmagens da viagem, as jovens aparecem cantando e fazendo a coreografia hoje reproduzida por Teló. Anexamos o vídeo ao processo”, disse Cascudo. "Sharon não criou nada. Não existe uma única vírgula, um único ponto que ela tenha criado." 

   O acordo fechado entre Teló e Sharon para a reprodução de "Ai Se Eu Te Pego" perderá a validade, caso a justiça se posicione a favor das estudantes. No momento, a decisão tomada pela 3ª Vara Cível de João Pessoa é que Teló, Sharon e Dyggs depositem qualquer quantia arrecadada com a música até o momento.

(Fonte: Rolling Stone)

Courtney Love afirma que os Muppets "estupraram" a memória de Kurt Cobain

 


   Esta semana, Courtney Love alegou que a Disney e os Muppets "estupraram" a memória de seu falecido marido Kurt Cobain quando fizeram um cover de "Smells Like Teen Spirit" no novo filme dos Muppets. Os famosos personagens cantaram a música em quarteto em uma cena com Jack Black, como pode ser visto no vídeo abaixo.

   Courtney afirma que ela é pessoalmente responsável por decidir como, quando e onde as canções do Nirvana são utilizadas comercialmente, e diz que nunca deu permissão para a canção para aparecer no filme.

   Mas isso não é verdade, de acordo com o TMZ. Segundo eles Courtney vendeu metade de seus direitos sobre as músicas do Nirvana para a Primary Wave Music, uma empresa de licenciamento que têm os direitos exclusivos de distribuição de canções do Nirvana.

   A empresa teve a permissão de Dave Grohl e Krist Novoselic para usar a música no filme dos Muppets. Grohl não só aprovou, como também participou no filme. Apesar de tudo, Love e sua filha Francis Bean Cobain receberão uma parte dos lucros da trilha sonora.

   Veja um clipe da música no video abaixo. Não é de grande qualidade, além de que o áudio acaba na metade do vídeo, mas dá algum contexto de como a música foi usada. O curioso é que Jack Black diz: "Vocês estão arruinando uma das maiores músicas de todos os tempos!"


terça-feira, 13 de março de 2012

Guitarrista do Pearl Jam adianta detalhes sobre novo álbum


   Stone Gossard, guitarrista da banda americana Pearl Jam,  adiantou alguns detalhes sobre como será o próximo álbum da banda, que ainda não possui um título oficial.

   Em uma entrevista para a revista Rolling Stone, Gossard afirmou que apesar de estarem gravando o álbum sem pressa, estão perto de finalizá-lo. "Já gravamos algumas canções, e vamos gravar e escrever mais algumas. Podemos estar a uma ou duas músicas de terminar o disco ou pode ser que venhamos a gravar mais seis ou sete faixas".

   Backspacer (2009), último disco do grupo, marcou o retorno da banda ao rock mais direto e com faixas rápidas, como "The Fixer" e "Gonna See My Friend". Gossard diz que a banda pensa em realizar um trabalho diferente no novo disco. "Queremos que as pessoas pensem: 'Nossa, isso é muito estranho pro Pearl Jam' e, daqui a dez anos digam: 'Ah, essa é minha fase predileta'. É mais ou menos o que sempre acontece", brincou o guitarrista.

   O lançamento do disco, no entanto, não parece tão próximo. A banda trabalha sem pressa e não pretende acelerar o processo. "A coisa mais importante é que continuamos tentando nos expandir, em vez de seguir o que já fizemos no passado", disse Gossard. "É uma boa hora para continuarmos a experimentar e nos movimentar."

segunda-feira, 12 de março de 2012

Britânicos elegem Liam Gallagher como melhor 'frontman' de todos os tempos


   O ex-vocalista da banda Oasis, Liam Gallagher, foi eleito por ouvintes britânicos como o melhor 'frontman' de todos os tempos. A votação foi feita pela rádio inglesa XFM.

   Comentando a votação, Liam disse: “Melhor 'frontman'? Eu já sabia disso! Não existem muitos de nós, tem muita gente falsa por aí. Mas eu gostaria de agradecer a todos que votaram e tudo mais. Que legal. Eu sempre fui focado ser vocalista. Se você é um cara bonito como eu, tem que estar na frente (front) da banda, não é?”

   A resultado da votação causou revolta nas redes sociais em redor do mundo, devido ao fato de Liam ter ficado a frente de músicos como Freddie Mercury, Dave Grohl, Jim Morrison e Kurt Cobain. Confira a lista dos melhores frontmans da história, segundo os britânicos:

01. Liam Gallagher (Beady Eye e ex-Oasis)
02. Freddie Mercury (Queen)
03. Dave Gahan (Depeche Mode)
04. Dave Grohl (Foo Fighters)
05. Matt Bellamy (Muse)
06. Brandon Flowers (The Killers)
07. Morrissey (The Smiths)
08. Jim Morrison (The Doors)
09. Kurt Cobain (Nirvana)
10. Alex Turner (Arctic Monkeys)
11. Paul Weller (The Jam)
12. Mick Jagger (Rolling Stones)
13. Tom Meighan (Kasabian)
14. Eddie Vedder (Pearl Jam)
15. Joe Strummer (The Clash)
16. Ian Curtis (Joy Division)
17. Caleb Followill (Kings of Leon)
18. Ian Brown (The Stone Roses)
19. Thom Yorke (Radiohead)
20. Chris Martin (Coldplay)

sábado, 10 de março de 2012

Confira animação que resume a filmografia de Stanley Kubrick

  O designer Martin Woutisseth é o autor dessa impressionante animação que consegue resumir com maestria todos os 13 longas dirigidos por Kubrick, que aparecem em ordem cronológica. 
   Assista ao vídeo:


sexta-feira, 9 de março de 2012

Após saída de Jörg Michael, Stratovarius busca por novo baterista


   Se você é um baterista talentoso e fã de Stratovarius, essa pode ser a sua chance de entrar para a banda. Em um comunicado no site oficial do grupo, os outros quatro integrantes confirmaram a saída de Jörg Michael, e informaram que o posto está vago.

   O comunicado, sob o título "Drummer Wanted" (algo como "procuramos uma baterista") diz, em partes:


"Nós já temos alguns fortes candidatos, mas, já que temos tempo, decidimos estender nossa busca para ver o que vem a tona. Então, se você possui experiência de gravações e turnês, e além disso é um cara legal, pode ser o que estamos procurando!


Se você acha que combina com você tocar em uma banda de metal mundialmente famosa, grave um vídeo tocando uma dessas três músicas do Stratovarius: “Coming Home”, “Father Time” ou “Deep Unknown”. Disponibilize no YouTube e mande o link com informações pessoais para este e-mail: drummer@stratovarius.com.

O que você tem a perder? O mundo te aguarda! Você vai ganhar muita grana, fama, bons momentos, e toda a cerveja que conseguir beber.

Atenciosamente,
Jens, Lauri, Matias e Timo”
Especial 13 anos sem Stanley Kubrick
De Olhos Bem Fechados (1999)


    Dia 13 de julho de 1999, estreava nos Estados Unidos o último filme da carreira de Stanley Kubrick, “De Olhos Bem Fechados”. Filme assistido por muitos, menos por seu diretor, que havia morrido quatro meses antes, ainda durante a fase de edição do filme. E a impressão que temos ao assistir esse filme é que tem alguma coisa faltando. 

   O filme não é ruim, e nem poderia ser, levando em conta o elenco: Tom Cruise e Nicole Kidman, que então eram o casal mais badalado de Hollywood. O casal interpreta Bill e Alice Halford, um médico e uma escultora de prestígio, que estão passando por uma crise no casamento. O filme inicia com Alice esplêndida em um vestido de festa, implorando por um elogio do marido. Bill elogia a esposa, contudo, não olha para ela. Após isso o casal vai a uma festa de gala na mansão de Victor Ziegler (interpretado por Sidney Pollack), e lá cada um deles flerta com desconhecidos: Alice, ligeiramente bêbada, se deixa seduzir por um elegante senhor húngaro, enquanto Bill aceita a bajulação de duas belas modelos, que querem levá-lo para “onde o arco-íris termina”. Nada de relevante acontece nos dois casos. 


   Ao chegarem em casa, o casal fuma maconha em seu quarto, e Alice, sob efeito da droga, relata um breve episódio vivido nas férias do casal, no ano anterior. Ela afirma que, na ocasião, olhou para um oficial da Marinha, no saguão do hotel em que a família estava hospedada, e apaixonou-se tão perdidamente, mesmo sem sequer ouvir a voz dele, que teria largado Bill e a filha de imediato, se o homem houvesse pedido. Bill fica perturbado, mas não tem tempo de discutir o assunto. O telefone toca. É Marion, a filha de um paciente avisando-o da morte dele. Bill põe um sobretudo e vai à rua. É o início de um passeio interessante pelas ruas de Nova York. 

   Bill vai até a casa de Marion e ao entrar no quarto em que está o paciente morto, recebe outro choque; Marion, que está compromissada com um homem que a levará para o distante Wisconsin, nutre um amor secreto pelo Dr. Bill. Ainda mais desorientado, Bill sai da casa e caminha sem rumo pelas ruas, disparando uma série de encontros surreais. Primeiro é uma prostituta, depois um pianista amigo de juventude, uma loja de fantasias, e uma festa secreta de uma seita pagã que realiza orgias em que todos os convidados usam máscaras. A madrugada bizarra se prolonga em uma segunda noite, em que Bill tenta acertar as decisões que havia tomado na noite anterior. 


   Stanley Kubrick presenteia o espectador com uma coleção impecável de sequências hipnóticas, que deixam tanto o protagonista como a platéia em uma espécie de transe. Kubrick se vale de uma trilha sonora minimalista, executada por um piano que martela notas de forma insistente e um tanto desconexa. O cântico macabro ouvido durante a cerimônia religioso-sexual, é a jóia da coroa.
Misterioso, a música fornece o exato toque sombrio que o público necessita para levar a cena a sério. A impressão é acentuada pela sensação estranha de ouvir pessoas dialogando atrás de máscaras, de maneira que não se pode ver a expressão facial ou o movimento dos lábios das pessoas. 

   O verdadeiro tema do filme, que é a discussão sobre sonhos e realidade, fica escondido durante muito tempo, mas acaba sendo jogada nos olhos da platéia, em um diálogo que sintetiza o filme com absoluta clareza. O diálogo culmina com a frase “nenhum sonho é apenas um sonho.” Ou seja, no sonho, fazemos coisas que consciente ou inconscientemente gostaríamos de estar fazendo na vida real. Dessa forma, o sonho é uma representação da realidade interior de cada ser; seus medos, suas inseguranças, suas vontades, etc.


   O filme é longo e possui um ritmo lento, sendo composto por tomadas longas e com poucos cortes, como a cena da conversa do casal no quarto e a conversa de Bill e Ziegler junto à mesa de bilhar. Levando em conta que Stanley Kubrick tinha o costume de fazer cortes em seus filmes mesmo semanas antes da estréia, podemos dizer que o filme é uma obra incompleta. Não se equipara a nenhuma das obras–primas de Kubrick, como “2001: Uma Odisseia no Espaço” e “Laranja Mecânica”, mas é um bom filme que, assim como todas as obras de Kubrick, nos leva a reflexão ao abordar as nuances comportamentais desse ser tão estranho que é o homem.

Por Diego Dutra

quinta-feira, 8 de março de 2012

Mulheres



   As mulheres sempre foram menosprezadas pelos homens, apesar de seu papel importante na sociedade. Desde os primórdios da história vemos mulheres que mostraram ser de grande relevância, algumas como grandes expoentes na literatura, nas artes plásticas, no cinema e sobretudo na música.

   A mítica Joana D'Arc guiou os exércitos franceses durante a bem sucedida Guerra dos Cem Anos. Elizabeth I, que foi rainha da Inglaterra de 1533 à 1603, criou a Bolsa de Londres e transformou a Inglaterra no principal centro financeiro da Europa. Cleópatra, que dominava com perfeição a arte da conquista, definiu o rumo de dois impérios, o egípcio e o romano. 
   
    Já na história recente, temos a britânica Margaret Thatcher, a primeira mulher a dirigir uma democracia moderna, e que conseguiu o feito de estabilizar a então cambaleante economia inglesa. No nosso continente, Cristina KirchnerLidia Tejada, Michelle Bachelet, Laura Miranda e Dilma Rouseff foram as primeiras mulheres a assumir a presidência de seus respectivos países.

   Na arte, Tarsila do Amaral e Anita Malfatti tiveram uma participação importante na renovação da arte brasileira em 1922. Na literatura, Clarice Lispector, Jane Austein, Virginia Woolf, Agatha Christie, Rachel de Queiroz e Cecilia Meireles forma grandes autoras tanto do período clássico como do contemporâneo.  No cinema, Greta Garbo, Sofia Loren, Marilyn MonroeKatharine Hepburn foram estrelas de cinema que por meio da sétima arte, destruíram preconceitos e estereótipos relacionados ao papel da mulher na sociedade.

    A música, a "arte da musas", desde o início foi inspirada nas mulheres. Grande parte das músicas que conhecemos tem como tema a formosura e os atributos da mulher amada, ou a tristeza e frustração de uma desilusão amorosa. Mas também temos exemplos de mulheres que, como musicistas, mudaram gerações inteiras.

   Janis Joplin, que morreu aos 27 anos, foi o ícone de uma geração, e é considerada por muitos como a "rainha do rock'n roll" e como "a melhor cantora de rock dos anos 60". Aretha Franklin, cantora americana de gospel e soul music, se tornou um ícone da música negra e foi eleita pela revista Rolling Stone como "a maior cantora de todos os tempos", colocando-a à frente de lendas como Elvis Presly, Ray Charles, Bob Dylan e John Lennon.  Tina Turner, cantora e dançarina, além de atriz ocasional, foi chamada de "A Rainha do Pop", pela sua voz inconfundível e pela sua habilidade de intercalar sons graves e agudos. E atualmente temos Adele, que com seu talento inegável, vem abocanhando todas as premiações a que tem direito, e batendo recordes de venda de álbuns em meio à crise da indústria fonográfica. E a essa lista podemos adicionar Madonna, Britney Spears, Celine Dion, Amy Winehouse, Whitney Houston, Tarja Turunen, Simone Simmons e tantas outras cantoras que deixaram sua marca na história da música.

   Nós aqui na Escola de Música Prelúdio também somos agraciados com a companhia de cantoras e musicistas que possuem um incrível talento: São elas: Débora Marcon, Deise Coccaro, Eliana Braunstein e Eliane Piseta Colombo (mais informações sobre essas professoras veja o site oficial da escola, na aba "professores")

   Mas para que uma mulher seja importante, não é necessário que ela tenha um enorme talento em algo, ou então que seja esplendidamente bela. O escritor francês Jean Paulhan dizia que "há encantos maiores que a beleza". E de fato existem. O que torna uma mulher importante é o seu caráter, as suas virtudes. E temos muitas mulheres assim em nossa volta.

   Tamanha é a importância que a mulher tem na sociedade, que torna-se ridículo escolhermos um único dia do ano para homenageá-las. Ao invés de todo dia 8 de março darmos flores para as mulheres na rua, abraçarmos nossas mães e esposas, desejando-as "feliz dia da mulher", que tal respeitarmos e prezarmos sua contribuição social e o papel delas na nossa própria vida todos os dias? Porque como já dizia Tyler Durden, personagem da obra de Chuck Palahniuck, "Clube da Luta", "somos uma geração de homens criados por mulheres". Sendo nós o que somos, devemos grande parte disso a elas.
   
Especial 13 anos sem Stanley Kubrick
Nascido Para Matar (1987)


   De filmes de guerra o cinema está cheio. Guerra do Iraque, Guerra do Golfo, Primeira e Segunda Guerras Mundiais e Guerra do Vietnã se tornaram matéria para muitos roteiristas e diretores criarem filmes de sucesso. Mas poucas pessoas fizeram filmes de guerra tão bons quanto Stanley Kubrick.  

   “Nascido Para Matar” foi o segundo filme de guerra de Stanley Kubrick, sendo que o primeiro foi “Paths Of Glory” (traduzido no Brasil como “Glória Feita de Sangue”) que se passa na Primeira Guerra Mundial e traz mais conflitos morais e éticos do que bélicos. “Nascido Para Matar” se passa na época da Guerra do Vietnã, e pode ser dividido em duas partes: a preparação dos soldados e a guerra em si. 


   A primeira parte do filme acompanha o treinamento dos recrutas antes de irem à guerra. A primeira cena é extremamente marcante; vemos todos os soldados em fila tendo suas cabeças raspadas ao som de “Hello Vietnam”, de Johnny Wright. Após isso vemos o duro e humilhante treinamento dos recrutas que estão aos cuidados do irônico e cruel sargento Hartman, interpretado magnificamente por R. Lee Ermey. Hartman quase não fala, apenas grita, e inicia dizendo “não faço discriminação; vocês são todos igualmente inúteis para mim”. Isso dá uma ideia do que está por vir. O treinamento é duro, e deixa claro seu objetivo: transformar homens em máquinas de matar. Mas logo no começo fica claro que o recruta Pyle não está se adaptando muito bem. Pyle é desajeitado, está bem acima do peso, e não consegue realizar certos exercícios. Devido a isso, Pyle acaba  sendo punido pelo sargento Hartman, se tornando seu alvo preferido. 


   O ator Vincent D’Onofrio, em sua fantástica interpretação, nos mostra Pyle como um sujeito, inicialmente inofensivo e bobo, talvez com algum tipo de distúrbio psicológico, mas que, por causa das diversas agressões e humilhações, se desumaniza, se transformando em um monstro. Kubrick ilustra muito bem a mecanização dos soldados através dos comportamentos repetitivos dos mesmos, dos exercícios e dos hinos decorados (que são hilários, por sinal). 

   Nesse filme Kubrick juntou duas coisas que parecem impossíveis de se combinarem: o trágico e o cômico. Ao mesmo tempo que sofremos junto com Pyle durante seu treinamento e as constantes humilhações as quais é exposto, conseguimos rir das falas do sargento Hartman, dos hinos entoados pelos soldados e dos próprios trejeitos do recruta Pyle. Além disso, outro personagem, com um nome sugestivo, ilustra isso muito bem. É o recruta “Joker” (traduzido em português como “Hilário”), que recebeu esse apelido de Hartman por estar sempre fazendo graça com tudo. Mas a palavra “Joker” também se refere ao curinga, uma carta de baralho que pode mudar de valor dependendo das cartas que o jogador tem na mão. E o soldado Joker (interpretado por Mathew Modine) é exatamente isso: ajuda Pyle, demonstando compaixão pela sua situação, mas ajuda a espancá-lo quando todos decidem o mesmo; se alista como jornalista, mas quer ir no campo de batalha; possui um broche pacifista, mas tem escrito em seu capacete “born to kill” (nascido para matar, fonte do título do filme em português). O que vemos em Joker é um jovem perdido, que não sabe a que valores aderir, representando a inteira geração dos "baby boomers".


   A segunda parte do filme mostra o cotidiano dos soldados no Vietnã. O absurdo da guerra é mostrado de perto, nos fazendo ver como a guerra é sem sentido. Kubrick revela que os soldados não têm a mínima consciência do que estão fazendo. Eles esbravejam contra o comunismo, mas ao que parece, não fazem ideia do motivo que os levam a matar e a destruir. Dessa forma, Kubrick mostra a burrice da guerra. Adotando em alguns momentos o tom de documentário, o filme alterna as cenas de ação (que são poucas em comparação com outros filmes de guerra), com “entrevistas” dos próprios soldados. 

    Se Kubrick dirige o filme com sua competência e genialidade habituais, deve-se também destacar a fotografia de Douglas Milsome. Douglas fotografa usando abundantemente o recurso da contraluz e abolindo as cores mais vibrantes, deixa o filme com um tom mais leve, contrastando  com o clima tenso do filme.

   O filme também é rico musicalmente, como podia-se esperar de Stanley Kubrick. O início com os versos de “Hello Vietnam” faz uma brincadeira com os estereótipos da guerra, e traz uma sequência de abertura que poderia ter sido maçante, mas é conduzida com maestria, tanto visual como musicalmente, capturando nossa atenção logo nos primeiros minutos. Os hinos que os soldados cantam são bastante cômicos, e falam de vários temas, desde partes íntimas das garotas do Alasca até o carinho dos soldados pelos seus rifles. O filme termina com uma cena que parece pertencer a um musical: os soldados saindo do campo de batalha em chamas, cantando uma música do Mickey. Mas ao começar os créditos, podemos ouvir a depressiva música “Paint it Black”, dos Rolling Stones, que pode simbolizar a transformação dos soldados, que tem seus corações “pintados de preto”, por assim dizer. 

   O que vemos em “Nascido Para Matar” é um dos filmes de guerra mais inteligentes que já foram feitos. Cenas de ação bem coreografadas, diálogos  que criticam a sociedade americana, piadas de humor negro... com isso Kubrick, mais uma vez, nos leva a reflexão, e ao falar sobre como a guerra é sem sentido, nos faz pensar no porque de sua existência.

Veja algumas das cenas marcantes de "Nascido Para Matar":

Primeiros nove minutos:
  

Hino dos fuzileiros:


Punição de "Pyle":





Por Diego Dutra

quarta-feira, 7 de março de 2012

Especial 13 anos sem Stanley Kubrick
O Iluminado (1980)



   O nome de um é Stanley Kubrick. O nome de outro é Stephen King. Não há quem não tenha ouvido falar de pelo menos uma dessas figuras históricas. Kubrick, uma lenda do cinema, e Stephen King, uma lenda da literatura de suspense. O que acontece quando um decide adaptar a obra de outro? O resultado pode ser visto em “O Iluminado”. 

   O livro de Stephen King, “O Iluminado” já era relativamente famoso mesmo antes do lançamento do filme. Após o lançamento do filme, os fãs de Stephen King diziam que esse havia sido o pior trabalho de Kubrick, enquanto os fãs de Kubrick afirmavam que o diretor havia aprimorado o livro de King. Isso porque o filme se afasta bastante da trama do livro, com um final completamente diferente. 

   Podemos dizer que Kubrick não adaptou o livro; ele criou um novo “Iluminado”. Kubrick retirou do filme todos os monstros criados por Stephen King, e deixou como foco principal o estranho Jack Torrance, interpretado por um seguro Jack Nicholson. 



   A trama do filme é simples. Jack Torrance arranja um emprego de “caseiro” no Hotel Overlook, que ficará totalmente vazio por meses devido às nevascas. O hotel tem um histórico sangrento, mas Jack não se importa. O filho do casal tem um amigo imaginário que lhe conta coisas sobre o futuro, fazendo com que a criança possua uma espécie de iluminação. Em uma de suas profecias, o amigo imaginário alerta a Danny para que não fosse ao Hotel Overlook. Os pais decidem ir mesmo assim; afinal quem liga pra opinião de um amigo imaginário de uma criança? Dessa forma, a família Torrance se encontra enclausurada em um misterioso hotel abandonado. A partir de então, a personalidade de Jack começa a mudar lentamente, transformando o bondoso pai ex-alcóolatra em um assassino em potencial.

   Os ambientes do filme hotel são incríveis. Salas enormes, com muito espaço vago dão ao filme um ar altamente perturbador. A fotografia é incrível, com cenas minuciosamente construídas para dar ao filme um tom sinistro e mostrar por meio de detalhes sutis a lenta transformação de Jack. Se somarmos a isso a trilha sonora, com músicas do compositor húngaro György Ligeti que misturam sons de máquinas com gritos abafados, temos um filme de fato perturbador. 

   A fama de perfeccionista de Stanley Kubrick ficou comprovada depois de O Iluminado. Segundo o livro dos recordes, “O Iluminado” é imbatível no quesito número de tomadas por uma cena. Na cena em que Wendy foge de Jack pela escada, foram necessárias 125 tomadas. O diretor filmou a cena do sangue no elevador em apenas três tomadas. Parece pouco, mas não foi. Para uma cena de poucos segundos foram necessários nove dias apenas para preparar o cenário. Kubrick teria dito várias vezes: “Isso não parece sangue”. 


   As atuações são bastante contrastantes. Vemos Jack Nicholson incorporando perfeitamente seu personagem, como podemos ver na sequência do bar e na cena épica (que por sinal foi improvisada por Nicholson) do “Here is Johnny!”. Já Shelley Duval não conseguiu o mesmo. Shelley estava muito travada para protagonizar Wendy, e Kubrick só faltou agredir fisicamente a atriz, tamanho o número de broncas que levou do diretor. Como comentado antes alguns takes tiveram que ser repetidos mais de 100 vezes para ficarem do jeito que Kubrick queria. Pelo menos o resultado final foi convincente. Até o jovem Danny Lloyd, no papel do filho do casal, se saiu melhor do que Shelley. 


   O filme trouxe uma inovação ao mundo do cinema – a steady cam – um dispositivo que diminui a trepidação da câmera quando o cameraman precisar correr com ela nas mãos. Podemos ver esse equipamento em uso na cena em que o câmera persegue o triciclo de Danny pelos corredores do Overlook e na cena do labirinto, no final do filme. 

   O Iluminado não é um filme comum de terror, daqueles com sustos a cada dez minutos e criaturas assustadoras que te aterrorizam quando você apaga a luz pra dormir. Assim como já havia feito em Laranja Mecânica, em O Iluminado Kubrick faz uma análise do comportamento humano. Nos mostra o quão pouco é necessário para enlouquecermos. Ou será que já somos loucos e somente não temos consciência disso?

Veja o trailer original do filme:


Por Diego Dutra


terça-feira, 6 de março de 2012

Especial 13 anos sem Stanley Kubrick 
Laranja Mecânica (1971)


  Laranja Mecânica é um filme que pode levantar dúvidas e levar a questionamentos morais. Devido a esse filme, adaptado da obra de Anthony Burguess, Stanley Kubrick é apontado por muitos como um símbolo da desconstrução da realidade. Por outros é tido como a consciência de uma sociedade que caminha, apressadamente, para a extinção dos seus valores e de si própria. Kubrick já abordava esse tipo de tema em seus outros filmes, como em “Glória Feita de Sangue”, que conta a história do general que ordena um trágico ataque suicida, e põe a culpa em três soldados que acabam condenados a morte. Ou em “Lolita”, com o obsessivo professor Humbert, com óbvias tendências pedófilas. Mas em Laranja Mecânica, Kubrick chega a um nível de dissecação do comportamento humano nunca antes alcançado na história do cinema. 

   O filme se passa em uma Inglaterra ligeiramente futurista e acompanha Alex DeLarge, um adolescente cujos gostos variam entre “Beethoven, estupro e ultraviolência”. Ele é o líder de uma gangue, de outros três jovens: Georgie, o oportunista, o cérebro da traição, Dim, imitador, subserviente e “tapado”, com um comportamento infantil, e Pete, pouco atuante, mero coadjuvante dos atos dos outros três. Alex lidera-os, e os chama de “drugies” (do russo drug, que significa amigo). Alex narra o filme em "nadsat", um idioma que mistura o russo, o inglês e o cockney. Algumas edições do livro possuem até um dicionário de nadsat, para melhor situar o leitor. Em nadsat, rozzer é polícia, drugo é amigo, tcheloveque é homem, devótchca é moça, moloko é leite. Esse vocábulário fica marcado na mente daqueles que assistem o filme. 


    Depois de vários atos de "ultra-violence" perpetrados por Alex e pelos seus companheiros, o primeiro acaba por ser traído por eles, o que fará com que seja encarcerado. Começa aí a segunda parte do filme. Depois de cumprir dois anos da pena a que havia sido condenado, Alex oferece-se como voluntário para um processo inovador do governo, o Tratamento Ludovico, após o qual Alex ficaria incapacitado de exercer qualquer tipo de violência sobre os outros. Será Alex curado? Isso é possível? O que significa ser curado? É possível “extirpar do infrator toda a sua maldade”? Esses são os questionamentos que nos surgem nesse ponto do filme. 
   "Laranja Mecânica" é, assim como o seu antecessor na filmografia de Kubrick, "2001: Uma Odisseia no Espaço" (que avaliamos ontem), uma experiência cinematográfica sem paralelo. É outra sincronia perfeita entre imagem e som – a montagem está perfeitamente ritmada de acordo com a trilha sonora. A mise-en-scéne é extraordinária, com todos os movimentos dos atores no espaço totalmente controlados para se conseguir o melhor enquadramento. A sucessão de momentos fulgurantes é inesquecível: a cena da luta entre as gangues no teatro abandonado, o êxtase de Alex ao ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven, a tortura e o horror do "Tratamento Ludovico" são apenas alguns exemplos.

   Os questionamentos morais do filme são um detalhe à parte. Stanley Kubrick nos faz sentir um misto de compaixão, repulsa e empatia pelo anti-herói Alex DeLarge. O cruel Tratamento Ludovico faz uma analogia ao sistema prisional dos nossos dias, que tem a missão de regenerar os infratores, missão esta que falha dia após dia. As conspirações políticas envolvendo Alex ilustram como no meio político tudo, tudo mesmo, pode ser usado como vantagem. Esse tudo inclui desde criminosos regenerados até jovens suicidados. É tudo negociável.
   A trilha sonora do filme é outro detalhe à parte. Rossini e Beethoven narram essa violenta história com perfeição. A Nona Sinfonia é recorrente no filme, aparecendo em várias cenas, em diversas formas (destaque para uma versão eletrônica). A “The Thieving Magpie” de Rossini é outra música que aparece várias vezes, imortalizando as cenas do filme na mente dos espectadores. A trilha sonora de Laranja Mecânica se vinculou tão fortemente às imagens que é impossível imaginá-lo com outra trilha sonora.

   Polêmico, violento, que nos induz a reflexão, esse é Laranja Mecânica. Com a direção de um gênio, a obra de Anthony Burguess se tornou um clássico do cinema, uma análise do comportamento humano regada a Beethoven.

   Veja o trailer legendado do filme:


Por Diego Dutra


segunda-feira, 5 de março de 2012

Especial 13 anos sem Stanley Kubrick
2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968)


   Dezembro de 1965. Stanley Kubrick ainda recebia elogios pela sua produção “Dr. Fantástico”, que havia sido indicada a quatro Oscars no ano anterior. Mas Stanley Kubrick, juntamente com Arthur C. Clarke, planejava algo muito maior. Um filme de ficção que falava sobre temas como vida extraterrestre, evolução humana e tecnologia. E que se tornaria uma referência em efeitos especiais, apesar de ser feito em uma época em que não haviam computadores capazes de editar vídeo. Esse filme era “2001 – Uma Odisseia no Espaço”.

   Tudo começou quando Stanley Kubrick e Arthur Clarke começaram a escrever o livro “2001 – Uma Odisseia no Espaço” que foi elaborado com o objetivo de servir como roteiro para o filme. Enquanto Clarke optou por uma abordagem mais clara e objetiva no livro, Kubrick resolveu fazer um filme enigmático e críptico, abusando do som e da imagem, e usando o mínimo possível de diálogo.

   O resultado foi um filme notável, com efeitos especiais incríveis (que pode ser visto muito bem na versão remasterizada em BluRay), e uma profundidade filosófica impressionante, difícil de ser encontrada em outros filmes de ficção científica. O filme inicia na “Aurora do Homem”, há milhões de anos atrás, quando uma tribo de macacos descobre um misterioso monólito negro, que emite um som estranho. A cena seguinte é uma das mais famosas do cinema: a do macaco descobrindo que pode usar o osso – que ele já havia usado como arma – como ferramenta.


   Então o macaco arremessa o osso, e a cena é abruptamente cortada. Um corte temporal de quatro milhões de anos. Um osso arremessado em 4.000.000 A.C. transformado em uma nave do ano 2001 D.C. orbitando o negrume ao redor da Terra. É o início de mais uma cena memorável. O “ballet das naves”, uma sucessão de imagens muitíssimo bem arquitetadas acompanhadas pela música “Danúbio Azul”, de Johann Strauss II.

   Após isso o filme se foca na missão do Dr. David Bowman e do Dr. Frank Poole, que estão a bordo de uma nave controlada pelo misterioso HAL 9000, uma inteligência artificial que, segundo ele próprio “é infalível e incapaz de erro”. As nuances emocionais de HAL, as decisões de Bowman e Poole, o contraste entre máquina e homem e as alegorias e imagens abstratas fazem com que o filme seja bastante complexo e tenha profundas implicações morais, filosóficas e sociológicas. O filme é tão complexo que até hoje, mais de quarenta anos depois da estreia do filme, não há uma explicação definitiva para todos os enigmas propostos no filme.


   O filme encanta por ser completo e complexo, pensado e ao mesmo tempo pensante, lento e visualmente maravilhoso."2001" foi filmado com câmeras desenvolvidas pela NASA, e tinha Douglas Trumbull na direção de fotografia. Até mesmo nos nossos dias, com tecnologia 3D e telas de alta definição, é difícil de encontrar um filme que tenha uma imagem tão bonita e brilhante como a de 2001. Imagem essa que resulta, não de efeitos especiais criados por computador (que também possuem seus méritos), mas por truques ópticos extremamente complexos e demorados. Enquanto alguns desses truques consistiam em expor os filmes a temperaturas baixas e depois aquecê-los, outros exigiam que os filmes ficassem embebidos em soluções por mais de um ano.

   2001 – Uma Odisseia no Espaço é talvez o mais musical dos trabalhos de Kubrick. A trilha sonora, escolhida pelo próprio Kubrick, é repleta de músicas antigas, clássicas, mas que parecem ter sido feitas especificamente para as cenas do filme. “Danúbio Azul”, de Johann Strauss II e “Also Spracht Zaratustra” de Richard Strauss, são as músicas mais marcantes do filme, sendo que a segunda ficou eternamente relacionada a cenas espaciais. Em muitas cenas Kubrick usa, ao invés de palavras, música para expressar e criar sentimentos no espectador.

   Enfim, “2001” é um filme memorável, digno de ser considerado um dos melhores já realizados. Merece ser assistido por todos aqueles que gostam de raciocinar e apreciam não só o cinema como também a música, e a perfeita interação entre essas duas artes.

   Veja a cena do "ballet das naves" em alta resolução:



Por Diego Dutra

13 anos sem Stanley Kubrick  


   Era uma vez um garoto do Bronx que não fazia as lições de casa e tirava notas medíocres. Podia ser só mais um garoto normal, mas não era. Esse garoto era Stanley Kubrick, e se tornou um dos maiores diretores de cinema da história (na opinião de muitos críticos e cineastas o melhor).

   Stanley Kubrick se tornou cineasta aos 22 anos, e durante sua carreira dirigiu 3 curtas e 13 longas-metragens, que foram suficientes para consagrá-lo como uma lenda do cinema. Além de abordar temas polêmicos, Kubrick ficou conhecido por fundir duas belas artes: o cinema e a música. Devido a sua experiência com o jazz na juventude, Kubrick sabia muito bem como a música era importante. Segundo ele mesmo, “um filme é - ou deveria ser - mais parecido com música do que com ficção. Deve ser uma progressão de sensações e sentimentos. O tema, o que está por trás da emoção, o significado, tudo isso vem depois. "

   Essa semana marcará o aniversário de 13 anos da morte de Stanley Kubrick, que faleceu em 7 de março de 1999. Sendo assim, durante essa semana analisaremos seis filmes dirigidos por Stanley Kubrick, e consideraremos como esse gênio conseguiu conciliar o cinema – a incrível arte de construir sonhos – com a música – a arte de expressar sentimentos por meio de som e silêncio

sexta-feira, 2 de março de 2012

Veja lista dos 50 refrões mais explosivos da história

   A revista britânica NME divulgou uma lista contendo os "50 refrões mais explosivos de todos os tempos". Como era de se esperar de uma revista britânica, as bandas de lá são maioria na lista. A lista é encabeçada por "Don't Look Back In Anger", da banda britânica Oasis, e relaciona bandas como The Killers, Arctic Monkeys, Muse, Blur, The Beatles e Iron Maiden.
   Veja abaixo a lista completa:

50. Dizzee Rascal - 'Bonkers' 
49. Jay-Z & Alicia Keys - 'Empire State of Mind' 
48. Friendly Fires - 'Paris' 
47. Rihanna - 'Umbrella' 
46. Coldplay - 'In My Place' 
45. Starship - 'Nothing's Gonna Stop Us Now' 
44. Adele - 'Someone Like You' 
43. Pulp - 'Disco 2000' 
42. New Order - 'Bizarre Love Triangle' 
41. Weezer - 'Buddy Holy' 
40. The Beatles - 'She Loves You' 
39. Bon Jovi - 'Always' 
38. Beyoncé - 'Crazy In Love' 
37. Suede - 'Animal Nitrate' 
36. Arcade Fire - 'Wake Up' 
35. The Strokes - 'Hard to Explain' 
34. Journey - 'Don't Stop Believin" 
33. Fleetwood Mac - 'Go Your Own Way' 
32. Toto - 'Africa' 
31. AC/DC - 'Highway to Hell' 
30. Kelly Clarkson - 'Since U Been Gone' 
29. Florence + The Machine - 'Shake It Out' 
28. U2 - 'Pride (in the Name of Love)' 
27. Bryan Adams - 'Summer of 69' 
26. Foo Fighters - 'Everlong' 
25. Pearl Jam - 'Alive' 
24. Take That - 'Never Forget' 
23. Nirvana - 'Smells Like Teen Spirit' 
22. McAlmont & Butler - 'Yes' 
21. David Bowie - 'Starman' 
20. Manic Street Preachers - 'A Design for Life' 
19. Depeche Mode - 'Enjoy the Silence' 
18. Whitney Houston - 'I Wanna Dance with Somebody (Who Loves Me)' 
17. Oasis - 'The Masterplan' 
16. Blink-182 - 'All the Small Things' 
15. Nirvana - 'Lithium' 
14. David Bowie - 'Life on Mars?' 
13. The Smiths - 'There Is a Light That Never Goes Out' 
12. Iron Maiden - 'Run to the Hills' 
11. Lana Del Rey - 'Video Games' 
10. Metallica - 'Enter Sandman' 
9. Bon Jovi - 'Livin' On A Prayer' 
8. The Stone Roses - 'She Bangs The Drums' 
7. Arctic Monkeys - 'I Bet You Look Good On The Dance Floor'
6. Blur - 'Song 2' 
5. Muse - 'Plug In Baby'

4. Kings Of Leon - 'Sex On Fire' 
3. The Killers - 'Mr Brightside 

2. The Ronettes - 'Be My Baby" 

1. Oasis - 'Don't Look Back In Anger'